A Brasileira e a estátua de Pessoa
Why is it significant?
Senta-te ao lado dele, se a cadeira estiver livre: Fernando Pessoa, em bronze, de chapéu e laço, perna traçada, à mesa da esplanada d'A Brasileira, com uma cadeira vazia à espera de quem quiser a fotografia. A estátua é de Lagoa Henriques e chegou aqui em 1988, no centenário do nascimento do poeta.
Key Facts
| Place | A Brasileira e a estátua de Pessoa |
|---|---|
| Address | Rua Garrett 120, 1200 Lisboa, Portugal |
| Geo Coordinates | 38.71070, -9.14220 |
| Part of Walk | A Lisboa de Pessoa: Chiado e Bairro Alto, de livro em livro |
| Generated | Generated |
Senta-te ao lado dele, se a cadeira estiver livre: Fernando Pessoa, em bronze, de chapéu e laço, perna traçada, à mesa da esplanada d'A Brasileira, com uma cadeira vazia à espera de quem quiser a fotografia. A estátua é de Lagoa Henriques e chegou aqui em 1988, no centenário do nascimento do poeta.
O café abriu em 1905, pela mão de Adriano Telles, um homem que tinha vivido no Brasil e queria vender em Lisboa café brasileiro, em grão e moído. Para convencer os clientes, oferecia uma chávena a quem comprasse. Há até uma lenda que diz que a palavra bica nasceu aqui, das iniciais de um aviso na parede: beba isto com açúcar. Os historiadores torcem o nariz, mas os lisboetas adoram contá-la.
Agora o paradoxo. Pessoa passava por aqui, e a sua geração também: em 1915, ele, Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros lançaram a revista Orpheu, que escandalizou a cidade em apenas dois números. Mas o café preferido do poeta era o Martinho da Arcada, lá em baixo, no Terreiro do Paço. A cidade sentou-o para sempre no café errado... e ele, que se desdobrou em Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos e dezenas de outros nomes, talvez achasse graça a mais este disfarce.
Do outro lado, no Largo do Chiado, repara noutro homem de bronze, sentado, de mão no ar, a meio de uma piada. É António Ribeiro, o Chiado, um frade franciscano do século XVI que trocou o convento pela rua e se tornou poeta satírico, famoso por imitar vozes e troçar de toda a gente. Uma das explicações para o nome do bairro é ele. A outra é mais prosaica: o chiar das rodas das carroças a subir esta encosta. A estátua, de Costa Mota, é de 1925.
Antes de seguires, olha para o fundo do largo: o homem de espada no pedestal alto é Camões, e vais voltar a ele mais tarde. Por agora, desce a Rua do Alecrim, a rua que escorrega até ao rio. Uns cento e cinquenta metros abaixo, à direita, há um pequeno largo onde um escritor de monóculo se inclina sobre uma mulher quase nua.