Convento do Carmo e Largo do Carmo: as ruínas e os cravos
Why is it significant?
Entra na nave do Carmo e olha para cima: arcos góticos enormes, de pedra clara, a segurar... nada. Nenhum teto, só céu, pombos e nuvens a passar entre as ogivas. É uma igreja a céu aberto, e está assim desde a manhã de 1 de novembro de 1755. O convento foi fundado em 1389 por D.
Key Facts
| Place | Convento do Carmo e Largo do Carmo: as ruínas e os cravos |
|---|---|
| Address | Largo do Carmo, 1200-092 Lisboa, Portugal |
| Geo Coordinates | 38.71200, -9.14060 |
| Part of Walk | Baixa Pombalina: a Lisboa que renasceu do terramoto de 1755 |
| Generated | Generated |
Entra na nave do Carmo e olha para cima: arcos góticos enormes, de pedra clara, a segurar... nada. Nenhum teto, só céu, pombos e nuvens a passar entre as ogivas. É uma igreja a céu aberto, e está assim desde a manhã de 1 de novembro de 1755.
O convento foi fundado em 1389 por D. Nuno Álvares Pereira, o Condestável, o herói de Aljubarrota, que acabou os seus dias aqui dentro como frade carmelita. Era uma das maiores igrejas de Lisboa. Na manhã do terramoto, estava cheia de fiéis para a missa de Todos os Santos quando as abóbadas desabaram. Depois do desastre, a igreja nunca chegou a ser reconstruída por inteiro, e as ruínas ficaram como memória.
Desde 1864 funciona aqui o Museu Arqueológico do Carmo, um dos mais curiosos da cidade, com túmulos góticos, estátuas, azulejos e até múmias trazidas do Peru. Mas a melhor peça do museu é o próprio edifício, o lembrete mais forte, em toda a Lisboa, do que aconteceu naquela manhã.
Sai agora para o largo, com as suas árvores e o chafariz. Ao lado das ruínas está o quartel da Guarda Nacional Republicana. A 25 de Abril de 1974, foi para lá que fugiu o chefe do governo, Marcelo Caetano. Os militares do capitão Salgueiro Maia cercaram o quartel, com o largo cheio de gente a assistir, empoleirada nas árvores e no chafariz. Ao fim da tarde, Caetano entregou o poder ao general Spínola. Quarenta e oito anos de ditadura acabaram aqui, num largo pequeno, diante de uma multidão.
Nesse dia, uma mulher chamada Celeste Caeiro, que levava cravos de um restaurante que nesse dia não chegou a abrir, começou a oferecê-los aos soldados, que os enfiaram nos canos das espingardas. Daí o nome de Revolução dos Cravos. Mas nem tudo foi festa: nessa noite, a poucas ruas daqui, a polícia política disparou sobre a multidão e matou quatro pessoas. Agora desce pela Rua do Carmo, a rua das lojas, até ao coração do Chiado.