Rochedos de Gondarém: As Poças de Maré
Why is it significant?
Desce à beira dos rochedos de Gondarém, se a maré o permitir, e baixa-te sobre uma das poças que a água deixou entre as pedras. À primeira vista é só água parada e algas. Espera um bocadinho, sem fazer sombra... e a poça começa a mexer-se.
Key Facts
| Place | Rochedos de Gondarém: As Poças de Maré |
|---|---|
| Address | Praia de Gondarém, Avenida do Brasil, Nevogilde, 4150 Porto, Portugal |
| Geo Coordinates | 41.15620, -8.68170 |
| Part of Walk | Onde o Douro Encontra o Mar: Foz do Douro e a Marginal do Porto até ao Castelo do Queijo |
| Generated | Generated |
Desce à beira dos rochedos de Gondarém, se a maré o permitir, e baixa-te sobre uma das poças que a água deixou entre as pedras. À primeira vista é só água parada e algas. Espera um bocadinho, sem fazer sombra... e a poça começa a mexer-se.
Um caranguejo pequeno corre de lado e esconde-se numa fenda. Uma anémona-do-mar, vermelha ou verde, abre os tentáculos como uma flor gelatinosa à espera de comida. Coladas à rocha estão as lapas, em forma de chapéu chinês, os mexilhões negros em cachos e as cracas, minúsculos vulcões brancos que só abrem quando a água volta. Cada poça é um aquário que a maré enche e esvazia duas vezes por dia.
E a maré aqui não é pouca coisa. Nas marés vivas, a diferença entre a maré cheia e a vaza pode passar dos três metros nesta costa. É isso que cria esta faixa estranha, metade do tempo mar, metade do tempo terra, onde só sobrevivem os seres mais teimosos: os que aguentam o sol, a chuva, a água doce, as ondas a bater e, no inverno, temporais capazes de arrancar pedras.
Durante gerações, as algas que o mar atira para estas praias foram riqueza. Na costa norte havia quem vivesse de as apanhar, os sargaceiros, que as secavam na areia e as vendiam aos lavradores para adubar os campos. Hoje quase ninguém as apanha, mas o cheiro forte do sargaço continua a ser o cheiro desta costa.
Uma regra de ouro: olha, fotografa, mas deixa tudo onde está. Uma lapa arrancada não volta a agarrar-se, e um caranguejo levado para casa dentro de um balde não sobrevive à viagem. E fica sempre de olho no mar, porque aqui uma onda maior aparece sem avisar. Volta à avenida e segue mais um pouco para norte, até à longa pérgola branca que parece saída de um postal da Riviera.