Casa do Infante: alfândega, moeda e um príncipe tripeiro
Why is it significant?
Um edifício robusto, de pedra, com janelas pequenas e uma porta que parece pensada para deixar entrar fardos, não fidalgos. É a Casa do Infante, e tem duas histórias: a que está nos documentos e a que está no coração dos portuenses. A dos documentos começa em 1325, quando o rei D.
Key Facts
| Place | Casa do Infante: alfândega, moeda e um príncipe tripeiro |
|---|---|
| Address | Rua da Alfândega 10, 4050 Porto, Portugal |
| Geo Coordinates | 41.14070, -8.61420 |
| Part of Walk | O Burgo da Invicta: Sé, Ribeira e o Porto Medieval |
| Generated | Generated |
Um edifício robusto, de pedra, com janelas pequenas e uma porta que parece pensada para deixar entrar fardos, não fidalgos. É a Casa do Infante, e tem duas histórias: a que está nos documentos e a que está no coração dos portuenses.
A dos documentos começa em 1325, quando o rei D. Afonso IV mandou construir aqui a Alfândega Régia, para cobrar impostos sobre tudo o que chegava pelo rio. O bispo, que se considerava senhor do burgo, protestou: aquele dinheiro, dizia ele, era seu. Houve braço de ferro durante anos, mas a Coroa ficou com a alfândega. Mais tarde, o edifício também acolheu a casa da moeda, e aqui se cunhou dinheiro do reino.
A do coração: a tradição diz que foi aqui que nasceu, a 4 de março de 1394, o infante D. Henrique, filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, que tinham casado na Sé, lá em cima, em 1387. O Navegador, o homem por trás das viagens que levaram os navios portugueses pela costa de África abaixo. Os historiadores discutem o quarto exato, mas o Porto não abdica: o Infante é tripeiro, e o assunto está encerrado.
E já que falamos de tripeiros... a lenda conta que, em 1415, quando se preparava a armada para Ceuta, o Porto deu toda a carne que tinha, salgada, para os barcos. À cidade ficaram as tripas. E os portuenses, em vez de se queixarem, inventaram com elas um prato: as tripas à moda do Porto, com feijão branco, enchidos e cominhos. Desde então chamam-nos tripeiros, e nós respondemos que sim, com muito orgulho.
Nas escavações feitas no edifício apareceram restos de uma casa romana com mosaicos, sinal de que esta margem já era porto muito antes de haver Portugal. Agora segue para nascente, pela Rua da Fonte Taurina. Logo à frente, do lado do rio, repara no Postigo do Carvão, o tal arco da muralha virado ao cais. A praça mais famosa do Porto está a dois passos.