Torre de Belém: a sentinela e o rinoceronte
Why is it significant?
Aí está ela, a Torre de Belém, de pedra clara, com ameias em forma de escudo, varandas rendilhadas e guaritas redondas cobertas por pequenas cúpulas. De perto é mais pequena do que nas fotografias... e muito mais bonita. Repara que hoje está quase colada à margem, com um passadiço para lá chegar.
Key Facts
| Place | Torre de Belém: a sentinela e o rinoceronte |
|---|---|
| Address | Avenida de Brasília, 1400-038 Lisboa, Portugal |
| Geo Coordinates | 38.69160, -9.21590 |
| Part of Walk | Belém sem mitos: Jerónimos, Torre de Belém e a verdade dos Descobrimentos em Lisboa |
| Generated | Generated |
Aí está ela, a Torre de Belém, de pedra clara, com ameias em forma de escudo, varandas rendilhadas e guaritas redondas cobertas por pequenas cúpulas. De perto é mais pequena do que nas fotografias... e muito mais bonita. Repara que hoje está quase colada à margem, com um passadiço para lá chegar.
Quando foi construída, entre 1514 e 1519, estava no meio do rio, assente num afloramento de rocha. Era a sentinela da entrada de Lisboa: com outra fortaleza na margem sul, cruzava fogo sobre qualquer navio inimigo que tentasse subir o Tejo. O arquiteto foi Francisco de Arruda, que tinha trabalhado nas fortalezas portuguesas de Marrocos, e há quem veja nas guaritas e nas cúpulas um eco do Norte de África.
Agora dá a volta pelo lado poente e procura, por baixo de uma das guaritas, uma cabeça de animal esculpida na pedra, com um corno no focinho. Diz-se que é o primeiro rinoceronte esculpido na Europa desde a Antiguidade. Em 1515 chegou a Lisboa um rinoceronte vivo, oferecido por um sultão do Guzerate a Afonso de Albuquerque, que o mandou ao rei. D. Manuel, curioso, pô-lo frente a frente com um elefante, para ver qual era o mais forte... e o elefante fugiu.
O final é triste. O rei ofereceu o rinoceronte ao Papa Leão X, mas o navio naufragou ao largo de Itália, no início de 1516, e o animal, acorrentado, afogou-se. Nunca chegou vivo a Roma. Mesmo assim, ficou famoso: o alemão Albrecht Dürer, que nunca o viu, fez uma gravura a partir de uma descrição e de um esboço, e foi assim que a Europa imaginou os rinocerontes durante mais de dois séculos, com placas de armadura que não existem.
A torre também tem um lado sombrio. Com o tempo perdeu a função militar e os pisos de baixo, junto à água, serviram de prisão; conta-se que a maré entrava nas celas. Em 1983 foi classificada pela UNESCO, juntamente com os Jerónimos. Continua pela beira-rio para poente: a uns minutos fica um forte baixo, com uma chama acesa à frente.