Praça do Império: o jardim da propaganda de 1940

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Estás no meio de um jardim enorme e simétrico, com canteiros recortados e uma fonte ao centro, entre o mosteiro, de um lado, e o rio, do outro. Do lado poente ergue-se o bloco de pedra clara do Centro Cultural de Belém.

Key Facts

PlacePraça do Império: o jardim da propaganda de 1940
AddressPraça do Império, 1400 Lisboa, Portugal
Geo Coordinates38.69610, -9.20600
Part of WalkBelém sem mitos: Jerónimos, Torre de Belém e a verdade dos Descobrimentos em Lisboa
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Estás no meio de um jardim enorme e simétrico, com canteiros recortados e uma fonte ao centro, entre o mosteiro, de um lado, e o rio, do outro. Do lado poente ergue-se o bloco de pedra clara do Centro Cultural de Belém. Parece um jardim neutro, bom para passear o cão... mas foi desenhado para uma festa de propaganda.

Em 1940, o regime de Salazar organizou aqui a Exposição do Mundo Português, para celebrar os oitocentos anos da fundação do reino e os trezentos da Restauração da independência. Esta praça foi aberta para isso, e o arquiteto Cottinelli Telmo comandou uma cidade inteira de pavilhões provisórios. O império colonial era a estrela da festa: o Estado Novo queria mostrar um Portugal eterno, pequeno no mapa da Europa mas enorme no mundo, ordeiro e em paz.

Repara no momento. A exposição abriu em junho de 1940, poucos dias depois de Paris cair nas mãos dos nazis. Lisboa estava cheia de refugiados que fugiam da guerra e esperavam, às vezes durante meses, um lugar num navio para a América. Enquanto se inauguravam pavilhões e fontes aqui em Belém, milhares de pessoas desesperadas passavam pelos cafés da Baixa com o visto na mão. Duas Lisboas, a poucos quilómetros uma da outra.

Os canteiros também contam uma história. Durante décadas, desenhados em buxo e flores, estiveram aqui os brasões dos distritos portugueses e das antigas colónias. Foram desaparecendo com o tempo, e há poucos anos a ideia de os recuperar dividiu a cidade: uns viam ali património de jardinagem, outros um elogio ao colonialismo plantado em pleno Belém. A discussão diz muito sobre a forma como o país ainda olha para o império.

O Centro Cultural de Belém é a resposta de outro Portugal. Foi construído para acolher a primeira presidência portuguesa da Comunidade Europeia, em 1992, e hoje tem salas de espetáculos, exposições e jardins suspensos de onde se vê o rio. Os arquitetos Vittorio Gregotti e Manuel Salgado escolheram uma pedra próxima da do mosteiro, para que o novo conversasse com o velho. Segue para sul, pela passagem subterrânea debaixo da avenida e da linha do comboio, até ao grande monumento branco à beira-rio.

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