Forte do Bom Sucesso e o Monumento aos Combatentes do Ultramar
Why is it significant?
Termina-se aqui, diante de um forte baixo e discreto do século XVIII e de um monumento de pedra com uma chama sempre acesa, rodeado de muros com milhares de nomes gravados. É o Monumento aos Combatentes do Ultramar, encostado ao Forte do Bom Sucesso.
Key Facts
| Place | Forte do Bom Sucesso e o Monumento aos Combatentes do Ultramar |
|---|---|
| Address | Avenida de Brasília, Forte do Bom Sucesso, 1400 Lisboa, Portugal |
| Geo Coordinates | 38.69260, -9.21840 |
| Part of Walk | Belém sem mitos: Jerónimos, Torre de Belém e a verdade dos Descobrimentos em Lisboa |
| Generated | Generated |
Termina-se aqui, diante de um forte baixo e discreto do século XVIII e de um monumento de pedra com uma chama sempre acesa, rodeado de muros com milhares de nomes gravados. É o Monumento aos Combatentes do Ultramar, encostado ao Forte do Bom Sucesso. Quase ninguém que vem à Torre de Belém dá estes poucos passos a mais.
Os nomes são de militares portugueses mortos na Guerra Colonial, entre 1961 e 1974, em Angola, na Guiné e em Moçambique. Eram rapazes de vinte anos, muitos vindos de aldeias do interior, mandados para uma guerra a que o regime oficialmente nem chamava guerra. Quase todas as famílias portuguesas têm um pai, um avô ou um tio que lá esteve... e muitos voltaram com coisas que nunca contaram a ninguém.
Do outro lado morreu muito mais gente: combatentes dos movimentos de libertação e civis africanos, em números que ninguém conhece ao certo e que não estão gravados em nenhum muro de Lisboa. Uma memória honesta tem de guardar as duas listas, a que está escrita na pedra e a que não está. É por isso que este lugar pesa mais do que parece.
A guerra acabou por dentro. Na madrugada de 25 de abril de 1974, os capitães do Movimento das Forças Armadas, cansados de uma guerra sem saída, derrubaram a ditadura, e o povo encheu as ruas de cravos. Em pouco mais de um ano, a Guiné-Bissau, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Angola tornaram-se independentes, e centenas de milhares de portugueses, os retornados, chegaram a um país que muitos mal conheciam.
Pensa no caminho que fizeste. Começaste numa fábrica de luz, passaste por coches de ouro, por um mosteiro pago a pimenta, por um jardim onde se exibiram pessoas e por um monumento que prometia um império eterno, e acabas aqui, onde esse império terminou. Belém não é só a montra dos Descobrimentos. É o sítio onde Lisboa pode olhar para o passado inteiro, o que brilha e o que pesa. E se ainda tiveres fome... já sabes onde fica a casa dos pastéis.