Jardim Botânico Tropical: o jardim que foi colonial

Why is it significant?

Passa o portão e deixa que o barulho dos autocarros fique para trás: à tua frente abre-se uma alameda de palmeiras altíssimas, lagos com patos, dragoeiros de troncos retorcidos e, se tiveres sorte, um pavão a atravessar o caminho com toda a calma do mundo. É um dos jardins mais tranquilos de Lisboa.

Key Facts

PlaceJardim Botânico Tropical: o jardim que foi colonial
AddressLargo dos Jerónimos, 1400 Lisboa, Portugal
Geo Coordinates38.69930, -9.20240
Part of WalkBelém sem mitos: Jerónimos, Torre de Belém e a verdade dos Descobrimentos em Lisboa
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Passa o portão e deixa que o barulho dos autocarros fique para trás: à tua frente abre-se uma alameda de palmeiras altíssimas, lagos com patos, dragoeiros de troncos retorcidos e, se tiveres sorte, um pavão a atravessar o caminho com toda a calma do mundo. É um dos jardins mais tranquilos de Lisboa... e um dos que guarda a história mais incómoda.

Nasceu em 1906 com outro nome: Jardim Colonial. A ideia era estudar e aclimatar plantas das colónias, café, cacau, borracha, especiarias, para as pôr a render nas plantações de África e da Ásia. Era ciência, sim, mas ciência ao serviço do império. Hoje pertence à Universidade de Lisboa e reúne plantas de quase todas as regiões tropicais do planeta, algumas delas raríssimas na Europa.

Em 1940, durante a Exposição do Mundo Português, este jardim recebeu a chamada Secção Colonial. Construíram-se aldeias de imitação e trouxeram-se pessoas de Angola, de Moçambique, da Guiné, de Timor e de outras colónias para viverem ali durante meses, à vista dos visitantes, como se fossem peças de exposição. Milhares de lisboetas passaram por elas como quem visita um jardim zoológico. Não é uma metáfora: era o que se fazia em várias capitais europeias desde o século XIX, e Lisboa fez igual.

Ainda restam marcas desse tempo. Repara no portão de inspiração chinesa, que veio da representação de Macau, e nos bustos de pedra espalhados pelos caminhos, feitos para a exposição para mostrar tipos dos povos colonizados. Durante décadas passaram despercebidos entre as palmeiras. Hoje há cada vez mais gente a olhar para eles de outra maneira, e a perguntar quem eram as pessoas que serviram de modelo.

E, no entanto, o jardim é de uma beleza que desarma. Os dragoeiros podem viver séculos, as palmeiras da alameda já passaram há muito os telhados, e no verão a sombra aqui é a melhor de Belém. Talvez seja essa a lição deste passeio: os lugares bonitos também têm memória, e uma coisa não apaga a outra. Sai pelo portão do lado do mosteiro e vira para a Rua de Belém. O cheiro a canela vai dizer-te onde parar.

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