Central Tejo e MAAT: a fábrica da luz junto ao rio

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Estás diante de um enorme edifício de tijolo vermelho, com chaminés altas e janelões de catedral industrial, e logo ao lado vês uma onda branca que parece ter saído do rio e ficado presa na margem. O de tijolo é a Central Tejo; a onda é o MAAT. Entre os dois cabem cem anos de Lisboa.

Key Facts

PlaceCentral Tejo e MAAT: a fábrica da luz junto ao rio
AddressAvenida de Brasília, Central Tejo, 1300-598 Lisboa, Portugal
Geo Coordinates38.69570, -9.19520
Part of WalkBelém sem mitos: Jerónimos, Torre de Belém e a verdade dos Descobrimentos em Lisboa
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Estás diante de um enorme edifício de tijolo vermelho, com chaminés altas e janelões de catedral industrial, e logo ao lado vês uma onda branca que parece ter saído do rio e ficado presa na margem. O de tijolo é a Central Tejo; a onda é o MAAT. Entre os dois cabem cem anos de Lisboa.

A Central Tejo deu luz à cidade durante mais de meio século. Começou a produzir eletricidade em 1909 e foi crescendo aos bocados, ao ritmo a que Lisboa pedia mais corrente para os elétricos, para as fábricas e para as primeiras casas com lâmpadas. Lá dentro queimava-se carvão. Toneladas de carvão que chegavam de barco, eram descarregadas aqui mesmo, na margem, e engolidas pelas caldeiras de dia e de noite.

Quem pagava esse progresso eram os fogueiros. Homens que passavam turnos inteiros a alimentar fornalhas, num calor que hoje nos parece impossível, cobertos de pó negro, com os pulmões a pagar a fatura anos mais tarde. Quando entrares, procura as fotografias deles... são a parte mais esquecida da história da eletricidade. A central foi perdendo importância, parou de produzir no início dos anos 70 e, em 1990, reabriu como Museu da Eletricidade.

Em 2016 nasceu ao lado o edifício branco, desenhado pela arquiteta britânica Amanda Levete. Repara na pele: milhares de peças de cerâmica branca, em relevo, que apanham a luz do Tejo e mudam de tom ao longo do dia, uma piscadela de olho à velha tradição portuguesa do azulejo. E o melhor é que podes caminhar por cima dele. O telhado é uma praça pública, com a Ponte 25 de Abril ali ao lado e o rio inteiro aos teus pés.

Agora uma coisa que poucos lisboetas sabem: há quinhentos anos, quase tudo à tua volta era água. A margem de Belém foi sendo ganha ao rio com aterros, sobretudo entre o fim do século XIX e o século XX, e as naus que partiam para a Índia saíam de uma praia que ficava muito mais para dentro, junto ao mosteiro. Guarda esta ideia, porque vai acompanhar-nos o caminho todo. Atravessa a linha do comboio pela ponte pedonal e segue para poente, em direção aos coches dos reis.

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