Muralha Fernandina: a pedra que fechava a cidade

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Encosta a mão a este paredão de granito, grosso e escurecido pelo tempo. Parece só um muro de suporte, daqueles que seguram uma encosta para as casas não escorregarem. Na verdade é um pedaço da muralha que cercou o Porto durante quase quinhentos anos.

Key Facts

PlaceMuralha Fernandina: a pedra que fechava a cidade
AddressEscadas do Caminho Novo, 4050 Porto, Portugal
Geo Coordinates41.14140, -8.61820
Part of WalkO Burgo da Invicta: Sé, Ribeira e o Porto Medieval
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Encosta a mão a este paredão de granito, grosso e escurecido pelo tempo. Parece só um muro de suporte, daqueles que seguram uma encosta para as casas não escorregarem. Na verdade é um pedaço da muralha que cercou o Porto durante quase quinhentos anos.

Chama-se Muralha Fernandina porque foi concluída no reinado de D. Fernando, por volta de 1376, mas as obras começaram antes, no tempo de D. Afonso IV. O burgo tinha crescido muito para lá da velha cerca românica, lá em cima, junto à Sé, e os mercadores da Ribeira queriam proteção. A nova muralha tinha à volta de três quilómetros e abraçava a cidade do rio até ao alto, com torres, portas e postigos.

As portas fechavam ao pôr do sol. Quem chegasse tarde dormia do lado de fora, e quem entrava com mercadoria pagava. Os nomes dessas portas ainda andam pela boca da cidade: Porta do Olival, Porta de Carros, Postigo do Carvão. Este último ainda existe, lá em baixo, junto à Ribeira, um arco baixo virado para o cais, e vais passar ao lado dele daqui a pouco.

A partir do século XVIII, a muralha passou a ser um estorvo. O Porto queria ruas largas, praças, luz, e foi deitando a pedra abaixo, troço a troço, para abrir caminho. Sobreviveram pedaços como este e o dos Guindais, do outro lado do burgo, sobretudo em encostas tão íngremes que não valia a pena construir lá nada. Ironia das boas: a muralha salvou-se por estar onde ninguém a queria.

Repara também no que fica do lado de fora: Miragaia, o bairro que cresceu extramuros, colado à água, sem proteção nenhuma, e que nunca pareceu importar-se com isso. Desce o resto das escadas até ao rio e vira à direita, para poente. Vais ver um edifício enorme, quase do tamanho de um quarteirão, deitado à beira do Douro.

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