Igreja e Miradouro da Penha de França: a promessa e o lagarto
Why is it significant?
Chegaste ao alto da Penha de França: uma igreja de fachada branca, um largo calmo e, ao lado, um miradouro com vista para o lado da cidade que os turistas quase nunca veem, o Tejo largo a nascente, os bairros novos e os aviões a descer para o aeroporto. A igreja nasceu de uma promessa.
Key Facts
| Place | Igreja e Miradouro da Penha de França: a promessa e o lagarto |
|---|---|
| Address | Largo da Penha de França, 1170-298 Lisboa, Portugal |
| Geo Coordinates | 38.73030, -9.13120 |
| Part of Walk | Graça e São Vicente: azulejos, panteões e miradouros no alto de Lisboa |
| Generated | Generated |
Chegaste ao alto da Penha de França: uma igreja de fachada branca, um largo calmo e, ao lado, um miradouro com vista para o lado da cidade que os turistas quase nunca veem, o Tejo largo a nascente, os bairros novos e os aviões a descer para o aeroporto.
A igreja nasceu de uma promessa. Conta a tradição que um escultor de imagens chamado António Simões combateu em Alcácer-Quibir, em 1578, a batalha em que desapareceu o rei D. Sebastião e que abriu caminho a sessenta anos de reis espanhóis. Simões sobreviveu, prometeu à Senhora da Penha de França, uma devoção nascida num santuário de Espanha, que lhe ergueria uma capela, e cumpriu: no fim do século XVI começou a construí-la neste monte.
E há a lenda do lagarto. Diz-se que um peregrino adormeceu na encosta deste monte e que uma cobra se aproximou dele; um lagarto acordou-o mesmo a tempo. O homem, convencido de que fora a Senhora a mandar-lhe o lagarto, espalhou o milagre por toda a cidade, e o bicho ficou para sempre ligado à devoção da Penha. Ainda hoje há lisboetas que falam do lagarto da Penha como de um velho conhecido do bairro.
À volta da capela cresceu um convento, que acabou extinto no século XIX como tantos outros, e a igreja, como quase toda a Lisboa, sofreu com o terramoto de 1755. Mas a devoção ficou, e durante séculos a Penha foi destino de romarias, com lisboetas a subir o monte a pé para cumprir promessas. Do miradouro, repara como a cidade muda: daqui não há postais, há a Lisboa onde a maioria dos lisboetas realmente vive.
E assim acaba o passeio, longe dos postais. Começaste na feira dos objetos perdidos, passaste pelos azulejos de São Vicente, pela escola dos operários, pelo elétrico, pela poesia de Sophia, pelas varandas da Vila Berta e pelas estrelas de um fabricante de chocolates. A Lisboa das colinas de cima é feita disto: de arte nos sítios mais inesperados e de gente que ainda vive dentro dela. Senta-te no miradouro, olha para o rio e descansa... mereces.