Miradouro do Monte Agudo: a Lisboa dos lisboetas
Why is it significant?
Entra no pequeno largo do miradouro, com bancos e algumas árvores, e olha para trás, para o caminho que fizeste: lá estão a Graça e a Senhora do Monte, empoleiradas na colina, e mais longe o castelo.
Key Facts
| Place | Miradouro do Monte Agudo: a Lisboa dos lisboetas |
|---|---|
| Address | Rua Heliodoro Salgado, Miradouro do Monte Agudo, 1170 Lisboa, Portugal |
| Geo Coordinates | 38.72590, -9.13110 |
| Part of Walk | Graça e São Vicente: azulejos, panteões e miradouros no alto de Lisboa |
| Generated | Generated |
Entra no pequeno largo do miradouro, com bancos e algumas árvores, e olha para trás, para o caminho que fizeste: lá estão a Graça e a Senhora do Monte, empoleiradas na colina, e mais longe o castelo. É o Monte Agudo, um dos miradouros mais discretos de Lisboa, quase sempre com mais vizinhos do que visitantes.
Lisboa gosta de dizer que tem sete colinas, como Roma. A lista muda conforme quem a faz, mas a Graça entra sempre, e o Monte Agudo nunca. Esta é uma colina da Lisboa que cresceu depois, entre o fim do século XIX e o século XX, quando a cidade saiu definitivamente das muralhas e subiu por estes montes, antes ocupados por quintas e hortas.
Lá em baixo corre a Avenida Almirante Reis, uma das mais compridas da cidade. O nome é de Cândido dos Reis, um almirante republicano que, na noite de 3 para 4 de outubro de 1910, convencido de que a revolução tinha falhado, pôs fim à vida. Não sabia que os revolucionários estavam a ganhar. No dia 5 de outubro, a República era proclamada na varanda da Câmara Municipal.
É uma história muito portuguesa, essa de perder a esperança na véspera da vitória. E foi desta Lisboa operária e republicana que nasceram os bairros de Arroios e da Penha de França: prédios de rendimento, muitos com fachadas forradas a azulejo de padrão, quadrados de cor repetidos até ao telhado, uma moda que tomou conta de Lisboa no século XIX. Diz-se muitas vezes que o gosto veio do Brasil, com os emigrantes que voltavam ricos... mas é uma daquelas histórias que os historiadores ainda discutem.
Fica um bocado a ver a luz. A esta altura do passeio já percebeste que Lisboa é uma cidade de varandas: cada colina olha para as outras, e todas olham para o rio. Agora segue para norte pelas ruas do bairro, mais uns minutos, até à igreja branca no alto da Penha de França, o último miradouro do dia.